Hugh Hefner (Fundador da Playboy) jovem e altamente pegável.
Transformar uma idéia relativamente simples em um império, uma marca pra vida, algo icônico é o que? Eu chamo de genialidade.
Hugh Hefner, pra mim, é um dos poucos gênios vivos. Cabeça pensante e malandragem pros negócios genuínos. Hef deu início ao seu reinado com 8.600 dólares, sendo que 600 vieram da venda de todos os seus móveis e 1.000 vieram de sua mãe.
Com esse parco dinheirinho, ele botava nas bancas em 1953 a primeira Revista Playboy produzida na mesa de sua cozinha, com uma Marilyn Monroe peladinha, em fotos que ficariam pra sempre na história. Com a venda de 50.000 exemplares Hef teve a certeza de que podia, e devia, levar pra frente.
A primeira Playboy de 1953, com Marilyn Monroe na capa.
Da revista que já vendia milhões de exemplares no início dos anos 60 para outros empreendimentos, foi um pulo. Ou uma jogada de mestre. Clubes noturnos, programas de TV, cinema, roupas, cacarecos, NADA fugiu aos olhos matreiros de Hef.
A Playboy é feita para homens, right? PÉÉÉ, errado! A Playboy é feita para todo tipo de público. Eu acredito no cara que diz que gosta mesmo é das entrevistas. A Playboy tem por tradição carregar nas suas páginas as melhores entrevistas de todos os tempos, vide a mais famosa de John Lennon. Não é o Zé da Couve que dá entrevista pra Playboy, você realmente tem que ser alguém.
Além do material (muito bem) escrito, a revista é um prato cheio para quem ama fotografia. Eu particularmente sou fã de um caboclo chamado Pompeo Posar, que foi fotógrafo da Playboy nos anos 60 e 70 e fez capas famosas até hoje. O trabalho dos fotógrafos na Playboy vai muito além do “mulher-pelada-mostrando-o-útero”. Muitas vezes vira registro de uma época. Coisa aliás, que a revista faz muito bem, registro histórico, o que estava acontecendo, quem era notícia, etc...
Capas fotografadas por Pompeo Posar.
Publicada nos mais diversos países, desde a Indonésia até a Sérvia, a marca Playboy é uma máquina de fazer dinheiro. É verdade que as coisas não vão lá muito bem no reino das coelhinhas, mas os efeitos da crise são para todos, até para os gênios. Além do mais, é sabido que Hef está mais preocupado em curtir o que lhe resta e deixou de lado as obrigações administrativas da revista. Sua função é ser o velhinho engraçado e sem-noção no "Girls of The Playboy Mansion".
Hef, agora um velhinho bonachão.
Se a Playboy é uma marca única exclusivamente voltada para os homens, como vocês me explicam a venda em massa de calcinhas, sutiãs, roupas femininas, maquiagem, sapatos, e toda sorte de quinquilharias femininas? Você, minha amiga, pode nunca ter pego uma Playboy na mão, mas aposto que morre por qualquer blusinha com o coelhinho estampado. Não adianta, a publicação, de um jeito ou de outro, mexe com o imaginário de todos.
Isso sem falar nas várias carreiras surgidas nas páginas da Playboy. Gente como Pamela Anderson, Jenny McCarthy, Jayne Mansfield e Anna Nicole Smith. Elas eram as “girls next door” e viraram big celebrities. Mais uma prova da força da marca.
Jayne Mansfield e Jenny McCarthy.
Anna Nicole Smith e Pamela Anderson.
Triste é o cidadão que resume a Playboy a pura pornografia (o que não é) ou material exclusivo para a punheta nossa de cada dia. A Playboy nunca faltou com o bom gosto e a inteligência em nenhum dos seus canais, seja na revista, na Playboy TV, nos programas da TV aberta, jogos ou livros. Apelar para a vulgaridade extrema seria dar um tiro no próprio pé, e Hef sempre soube disso, tanto que deixou esse filão para revistas como a Penthouse.
Eu recomendo às moçoilas que nunca pegaram uma Playboy na mão, que o façam. Não quer ver as mulé pelada, grampeie as páginas, apesar de achar que vocês perderão excelentes fotografias, e leia o resto da revista. Vale a pena!