A Internet Somos Nozes (Imagem: shimown)
Bom dia, caros leitores. Primeiramente gostaria de agradecer ao
Compulsivo pelo convite para escrever aqui no
Usuário Compulsivo sobre mídias sociais, internet e afins. É um prazer e uma honra compartilhar meus conhecimentos com todos vocês, embora eu não seja, de modo algum, uma especialista (e tampouco pretendo ser).
Dizem que fui a primeira brasileira a ter um blog, ainda que, então, fosse escrito em inglês, de acordo com essa lista de momentos da blogosfera, feita para a Revista Época, pelo Inagaki. E dado tal fato, o Compulsivo sugeriu que eu falasse sobre algumas das mudanças que vi de lá pra cá.
Em agosto de 2001 ou 2002 (a memória me falha), dei uma entrevista ao Alexandre Matias, para a finada Revista Pl4y, que pode ser conferida na íntegra aqui. Para fins deste post, resolvi, então, elaborar um breve histórico da minha relação com os blogs, para então resumir o que percebo que teria mudado de lá pra cá.
Meus primeiros dias na internet foram em fins de 1994, e em meu primeiro "diário online", iniciado em 1996 e encerrado uns 3 anos depois, havia uma seção que eu atualizava quando queria ser breve, mas tinha algo a dizer, um site a indicar, um filme ou livro a sugerir. Com o surgimento do Blogger, atualizar passou a ser muito mais fácil, e essa pequena seção, que já havia se tornado um blog, se tornou a principal com resenhas de produtos, filmes, livros, sugestões de sites.
Visitava os primeiros blogs estrangeiros que surgiram, que então eram usados para posts “diarinho” ou como muitos usam o twitter hoje: para postar links para sites interessantes, imagens engraçadas, criar uma rede de contatos.
Para exemplificar, indico dois links de 2 blogs de uma mesma autora, existentes também desde a época que surgiram os primeiros blogs no exterior: “#!/usr/bin/girl - interesting links and ways to pass the time from across the web!”, que retrata bem esse caráter de quantidade variável de posts diários, com links e meios interessantes de passar o tempo na web, e o “Vox Machina”, que retrata mais o caráter “diário pessoal”, geralmente com um ou dois posts diários comentando a vida particular da autora.
Mas voltando a esse breve histórico, de repente, no final de 1999, encontrei um, dois, três brasileiros. E resolvi passar a escrever em português. Em poucos meses surgiram vários. No início era fácil acompanhar todos os blogs brasileiros existentes, mas, em menos de seis meses, ficou impossível! Virou febre, uma que todo mundo devia aderir, pra fazer amizades, expressar sua opinião, compartilhar seu dia-a-dia.
Depois, entramos no segundo estágio: blogs como uma ferramenta poderosa de mídia, jornalismo e marketing, que se mantem até hoje, embora volta e meia alguém preconize o fim dos blogs, principalmente diante do surgimento de ferramentas como o twitter.
Essa explosão dos blogs foi algo legal, embora tenha trazido consigo os "mendigos de links", que acho péssimo, pois acredito que quem faz o que gosta ou escreve sobre aquilo que é especialista, honestamente, seja vivendo profissionalmente de blogar, seja como um simples hobby, acaba se destacando naturalmente. Quem faz um bom trabalho, acaba sendo divulgado por outras pessoas, seja através de outros blogs, através do twitter e outros serviços de mídias sociais.
Quanto a ter ou não ter blog, tenho a opinião de que todo mundo tem direito de ter o seu, mas isso não significa que todos tenham a capacidade de ter um. Cada um sabe seu propósito, e talvez um blog, que exige textos mais elaborados e mais tempo de dedicação, não seja, atualmente, a melhor opção para todos.
Se alguém deseja apenas compartilhar pequenos pedacinhos do seu dia-a-dia e criar uma rede de contatos com pessoas e indicar links interessantes, ora, o twitter hoje em dia se presta muito mais a isso, do que um blog, mas vai de cada um avaliar sua necessidade e finalidade.
Se tivesse que resumir o que veio de novo, desde então, diria: o surgimento de probloggers, blogs temáticos, ferramentas como o Google Adsense para publicar anúncios em blogs, artistas e jornais tradicionais se rendendo também à praticidade do meio, e uma maior percepção das empresas em relação ao poder da propaganda de um produto feita em um blog respeitado.
Tampouco vejo os blogs ameaçados por ferramentas como o twitter, afinal, nunca será possível fazer uma boa propaganda, uma boa resenha ou emitir uma opinião bem elborada, que se preende lida por muitos, em 140 caracteres, embora considere o twitter uma boa ferramente para divulgação dos blogs.
O que o futuro reserva para os blogs, qual o próximo passo na evolução da ferramente? Não sei, honestamente, como disse, não sou especialista em mídias sociais, mas digo que não vejo uma morte desse meio de publicação em nenhum futuro próximo.